As plataformas online não vendem amor, mas a sensação de que você está prestes a conhecer alguém

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As plataformas online não vendem amor

Os aplicativos de relacionamento atuais já não são vistos como lugares onde é possível encontrar o amor. A verdade é que as empresas no setor de relacionamentos lucram com a solidão, por isso não é do seu interesse que as pessoas encontrem sua alma gêmea logo de cara. O principal objetivo dos desenvolvedores dessas plataformas é vender e lucrar com o próprio processo de busca por alguém especial. Depois de um swipe, vem um match, que provoca uma rápida descarga de dopamina e praticamente leva os usuários a repetir as mesmas ações. Esse ciclo de dopamina é muito mais eficaz para manter os usuários no aplicativo do que o resultado final de um encontro de verdade. É por isso que os desenvolvedores alimentam constantemente a sensação de que o próximo swipe finalmente vai levar ao encontro daquela pessoa perfeita. No entanto, os próprios usuários também costumam adotar comportamentos que os afastam ainda mais de encontrar a verdadeira felicidade. O que pode atrapalhar um relacionamento? Vamos explorar essa questão juntos.

Um perfil é uma vitrine, não uma promessa de felicidade

Os perfis dos aplicativos de relacionamento estão ficando cada vez mais parecidos com vitrines publicitárias. As pessoas otimizam seus perfis para atrair cliques rápidos e fazem tudo para transmitir imediatamente a “vibe” desejada. Bastam algumas fotos impecáveis e uma breve descrição para criar uma imagem pensada para incentivar alguém a deslizar para a direita. Esse comportamento é impulsionado principalmente pela lógica das plataformas digitais: as decisões precisam ser tomadas rapidamente, enquanto a concorrência entre os usuários leva as pessoas a tentar se destacar de qualquer maneira possível. Por isso, não surpreende que a busca por alguém especial acabe se transformando em algo equivalente à escolha de um produto com base em uma lista de características.

O principal problema, porém, é que não dá para avaliar a compatibilidade real entre duas pessoas apenas por uma foto perfeita. Os usuários mostram a sua versão que acreditam ser mais atraente para possíveis parceiros. Só que, por trás de um perfil impressionante, podem existir valores, visões de mundo e expectativas em relação aos relacionamentos completamente diferentes. É por isso que tantas vezes as expectativas não correspondem à realidade. Afinal, a aparência, o estilo de vida e os hobbies acabam se tornando os principais critérios de escolha. Mas a verdadeira compatibilidade se revela por meio de qualidades completamente diferentes.

As meias-verdades se tornaram o novo padrão

Hoje, dois novos conceitos de comportamento, o “bio-baiting” e o “kittenfishing” se tornaram práticas quase normais. Mas, olhando mais de perto, fica claro que ambas práticas acabam dificultando o processo de conhecer alguém. Afinal, quando uma pessoa dá uma melhorada na própria aparência, isso muitas vezes cria decepção na hora de um encontro em pessoa. Mesmo assim, o kittenfishing continua sendo muito comum. O mesmo acontece com o bio-baiting. Um número enorme de usuários inclui deliberadamente em seus perfis hobbies que não têm e interesses que são populares apenas para transmitir a “vibe” desejada.

É claro que uma versão ligeiramente melhorada da pessoa costuma parecer mais atraente do que a realidade. Muitos usuários acreditam que, em um ambiente tão competitivo, com tantos usuários tentando encontrar alguém especial, falar a verdade atrapalha mais do que ajuda. Afinal, se você se descrever sem nenhum retoque, é bem provável que as pessoas simplesmente passem direto pelo seu perfil. É por isso que as meias-verdades se tornaram a regra: todo mundo tenta parecer pelo menos um pouco melhor do que realmente é.

Paqueras com IA: algoritmos conversando em vez das pessoas

Existe um paradoxo curioso no mundo dos relacionamentos, pois muita gente usa inteligência artificial para conhecer pessoas, mas a maioria considera a paquera com IA uma forma de “catfishing digital”. Alguns chegam a considerar o uso de IA para conduzir uma conversa uma verdadeira forma de enganar a pessoa com quem se está conversando. As pessoas querem encontrar alguém real do outro lado da tela, com pensamentos e emoções próprias. No entanto, em testes cegos, nos quais os usuários não sabem com quem estão conversando, os perfis de IA frequentemente apresentam resultados melhores do que os perfis de pessoas reais. Afinal, a IA segue as fórmulas que apresentam sucesso comprovado e ajuda a evitar erros comuns e silêncios constrangedores. Porém, quando os usuários descobrem que alguém está usando IA para conversar com eles, sua atitude muda drasticamente.

Companheiros de IA

Também existem pessoas que se sentem à vontade com o uso de inteligência artificial nos relacionamentos e passam a interagir exclusivamente com companheiros de IA. Esses são parceiros virtuais que atendem completamente à necessidade de ter um relacionamento. Estão sempre disponíveis, ouvem com atenção e oferecem apoio, não fazem exigências, nunca discutem e, de modo geral, se adaptam completamente ao usuário. Para quem está cansado de relacionamentos que não deram certo e tem medo de conhecer alguém novo, essa alternativa pode realmente oferecer uma saída.

Mas até esse idílio digital tem suas desvantagens. O problema é que, ao interagir constantemente apenas com parceiros de IA, acabamos perdendo a capacidade de encontrar pontos em comum com pessoas reais. Afinal, todo relacionamento exige saber ouvir, fazer concessões e encontrar um ponto médio. Como um parceiro de IA se adapta continuamente ao usuário e geralmente não causa problemas, conversar com pessoas reais passa a parecer complicado e cansativo demais após essa experiência. Também é importante lembrar que a empresa responsável pelo desenvolvimento de um parceiro de IA é quem responde pelo seu “comportamento”. Se os desenvolvedores atualizarem o algoritmo, o parceiro perfeito pode mudar de uma hora para outra ou até desaparecer, deixando um vazio súbito.

Do caos ao controle: a evolução dos bate-papos por vídeo

Em meio ao cansaço generalizado provocado pelos serviços tradicionais de relacionamento, os videochats vêm ganhando cada vez mais popularidade a cada ano. Essas plataformas também passaram por uma transformação bastante significativa. A primeira roleta de bate-papo, o Omegle, oferecia uma versão ainda bastante “rudimentar” desse formato. Seu maior atrativo era a total imprevisibilidade que oferecia aos seus membros. Era simplesmente impossível saber quem iria aparecer do outro lado da tela. Os usuários ligavam suas câmeras e imediatamente começavam a falar com um desconhecido. A pessoa do outro lado poderia ser literalmente qualquer um. Mas a falta de aprimoramento da própria plataforma, somada ao ineficiente sistema de moderação e ao frequente comportamento indevido por parte dos usuários, acabou levando ao encerramento do serviço.

O caótico Omegle deu lugar a serviços mais organizados e eficientes, como o serviço para fazer video chamada aleatória Omegle.chat. Esse bate-papo por vídeo é voltado a conexões românticas: graças ao seu filtro de gênero, os homens sempre conversam com garotas nesta plataforma. A qualidade da base de usuários também merece destaque pois os moderadores desse serviço para ter videochamadas verificam cuidadosamente se os usuários estão cumprindo as regras. Tudo isso torna a experiência de conhecer alguém mais segura e confortável.

Por que a busca se tornou mais importante do que o resultado

Os serviços de relacionamento nos fizeram acreditar que o amor está logo ali, muito perto, ao alcance dos nossos dedos. Basta dar mais alguns swipes para conhecer alguém especial. Muitos usuários caíram nessa armadilha. A ideia de que hoje pode ser o dia em que vão conhecer alguém capaz de mudar suas vidas faz com que voltem a procurar vez após vez. Mas, aos poucos, com o hábito, o próprio processo começa a trazer mais satisfação do que o resultado final. Além disso, construir um relacionamento exige esforço, enquanto a busca não envolve essas dificuldades. É por isso que milhões de pessoas passam anos procurando seu parceiro perfeito. No entanto, para finalmente encontrar a felicidade, o que precisamos não é de mais um swipe; precisamos sim de uma interação genuína uns com os outros.

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