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Realmente, existe muito mais em nossos corpos do que sequer imaginamos. Não estou falando somente sobre a enorme quantidade de células que nos compõem, mas também da grande quantidade de organismos externos que literalmente vivem dentro de nós sem nem percebermos, pelo menos não até algo dar errado, como por exemplo no caso da pneumocistose.

O que é Pneumocistose?

A pneumocistose é uma doença causada por uma infecção por organismos pneumocistos. A pneumocistose é uma infecção oportunista, observada principalmente em indivíduos com imunidade prejudicada.

A pneumocistose é também conhecida como PJP (pneumonia por Pneumocystis jiroveci, anteriormente conhecida como pneumonia por PCP ou Pneumocystis carinii). O parasita já foi considerado um protozoário, mas foi recentemente reclassificado como um fungo, embora ainda exista debate sobre a classificação taxonômica correta. Os organismos pneumocistos são comumente encontrados nos pulmões de humanos saudáveis ​​e outros mamíferos. Análises recentes de DNA mostraram a existência de múltiplas espécies de Pneumocystis. Isto levou à renomeação do organismo que causa a doença humana de Pneumocystis carinii para Pneumocystis jirovecii.

P jirovecii é um parasita onipresente que está presente em todo o mundo. A maioria das crianças tem anticorpos contra Pneumocystis aos 3 ou 4 anos, sugerindo exposição prévia ao organismo. Em indivíduos saudáveis, o P jirovecii raramente causa doença. A pneumocistose geralmente ocorre em pacientes imunodeficientes com:

  • HIV – pneumocistose é a infecção oportunista mais comumem pacientes com HIV
  • Candidíase mucocutânea crônica
  • Granulomatose com poliangiite
  • Lúpus eritematoso
  • Tratamento a longo prazo com medicamentos imunossupressores, por exemplo, em receptores de órgãos transplantados
  • Outras deficiências imunológicas congênitas e adquiridas
  • Desnutrição grave
  • Pacientes com câncer
  • Bebês desnutridos prematuros

Quais são as Características Clínicas da Pneumocistose?

A infecção por P. jirovecii é geralmente limitada aos pulmões, mas pode ocasionalmente se espalhar para outros órgãos, incluindo a pele. Estima-se que 66% a 85% de todos os indivíduos infectados pelo HIV terão um ou mais episódios de pneumocistose durante sua vida. Aproximadamente 1% a 2,5% de todas as infecções por P. jirovecii se espalham para fora dos pulmões (extra pulmonar). O envolvimento da pele por P jirovecii é ainda mais raro.

Os sintomas da pneumocistose são relativamente inespecíficos e incluem falta de ar, febre e tosse (seca) não produtiva. Esses sintomas tendem a se desenvolver mais lentamente (ao longo de várias semanas) em pacientes com infecção pelo HIV. Os sinais físicos de pneumocistose também são inespecíficos. O aumento da freqüência respiratória e da frequência cardíaca estão presentes na maioria dos pacientes, e o exame pulmonar pode revelar pequenos estertores e roncos em cerca de 50% dos pacientes.

Doença pulmonar extra – os locais mais freqüentemente envolvidos são os linfonodos, o baço, o fígado e a medula óssea. A doença pulmonar extra é geralmente mais grave em indivíduos infectados pelo HIV.

Doença da pele – os pacientes geralmente apresentam pápulas vermelhas ou avermelhadas, de coloração não-sensível (pequenos inchaços, menos de 0,5cm de diâmetro) ou nódulos (maiores que 0,5cm). Erosão secundária (perda da superfície da lesão) ou ulceração pode ser vista. As lesões podem ser solitárias ou disseminadas. A orelha, canal auditivo externo e axila (axila) são os locais mais comuns de envolvimento.

Como é Diagnosticada a Pneumocistose?

O diagnóstico de pneumocistose é geralmente baseado na identificação microscópica de P jirovecii de secreções broncopulmonares (pulmonares). As secreções broncopulmonares podem ser obtidas por: expectoração induzida (o paciente inala uma névoa de água salgada para estimular uma tosse profunda) lavado broncoalveolar (um pequeno tubo é passado através da boca ou nariz para os pulmões, o líquido é esguichado para uma pequena área do pulmão e depois recolhida para exame) ou biópsia pulmonar.

Diferentes técnicas podem auxiliar na identificação microscópica de P jirovecii:

  • Manchas especiais (como Giemsa ou manchas de prata) podem destacar o organismo
  • Imunofluorescência direta usando anticorpos monoclonais – anticorpos para P jirovecii são produzidos em laboratório e tingidos com fluoresceína. Esses anticorpos se ligam ao antígeno em células infectadas e as células exibem fluorescência sob o microscópio.
  • A biópsia de qualquer lesão cutânea, com posterior coloração e microscopia, também pode revelar o organismo.

Qual é o Tratamento para a Pneumocistose?

A droga de escolha para o tratamento da infecção por P. jirovecii é trimetoprim-sulfametoxazol (TMP-SMZ). Os pacientes infectados pelo HIV tendem a responder ao tratamento mais lentamente do que os pacientes sem HIV e requerem maior duração da terapia (3 semanas de tratamento em oposição a 2).

Tratamentos alternativos para pneumocistose incluem pentamidina e atovaquona.

(TMP-SMZ) também pode ser usado como agente profilático (preventivo) em pacientes com HIV e em outros pacientes com imunidade prejudicada. Em pacientes que não toleram TMP-SMX, outras opções incluem dapsona, dapsona mais pirimetamina, atovaquona e pentamidina em aerossol.

Qual é o Prognóstico na Pneumocistose?

O diagnóstico precoce e o tratamento da pneumocistose aumentam a probabilidade de sucesso do tratamento. Em pacientes com infecção pelo HIV, cerca de 10-20% dos casos serão fatais.

Em pacientes sem infecção pelo HIV, cerca de 30 a 50% dos casos serão fatais; a maior taxa de mortalidade é provavelmente devido ao atraso no diagnóstico neste grupo.

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