Filho viciado elogios

Ultimamente a baixa auto-estima é vista como uma espécie de carência de vitaminas emocionais, tanto nos adultos como nas crianças. O incentivo ao amor-próprio cresceu tanto, que livros sobre o assunto podem ser encontrados em abundância. A ideia que temos, então, é de que se não ministrarmos doses diárias de elogios às crianças, elas ficarão frustradas, tristes e desmotivadas. O que muitos não sabem é que os elogios, quando não merecidos, não são fator motivador, mas, sim, algo que pode deformar o modo como a criança se vê, a si mesma e perante o mundo.
Muitas vezes, quando as crianças tiram notas ruims na escola,
os pais sentem a necessidade de elogiá-la toda a vez que ela consegue uma nota melhor.

O problema nao está no elogiar, mas na freqüência e no como isto é feito. Calar-se diante das decepçoes e fazer elogios exagerados como: “Parabéns! Você é o filho mais inteligente da mamae”; “Você é muito bom e ninguém vai conseguir vencer você”; ou, ainda, “Você é a pessoa mais importante que existe e, se melhorar suas notas (por exemplo), vai deixar a mamae e o papai muito felizes”…, podem, certamente, aumentar a auto-estima da criança; porém, nao devemos esquecer que auto-estima em demasia pode atrapalhar o planejamento real da vida: a falta de elogios, para quem carece de tê-los, pode deprimir a pessoa, fazendo-a sentir-se desvalorizada; e, o excesso, pode enchê-la de expectativas irreais. Ambos os casos tornam-se prejudiciais, pois tornam o indivíduo dependente demais das opinioes alheias.

O que as crianças pensam de si mesmas nao deve jamais depender apenas dos elogios que lhe fazemos.

No passado, a auto-estima estava associada à idéia de bom comportamento e nobreza de caráter, e nao ao fato de “mamae ou papai aplaudirem porque o filho comeu toda a comida”.

Se nao policiarmos nossas atitudes, podemos criar um Ser totalmente dependente de elogios, de afagos verbais de pais, do chefe, da namorada ou namorado para se sentirem bem.

Filhos elogios

Hoje, nas escolas, esse tipo de criança é problema. Adulada em excesso e sem motivo, a criança cresce esperando o mesmo de todas as pessoas.

Para muitos jovens, a primeira lembrança de um confronto com o mundo real é a da escola, pois os professores sao, geralmente, mais realistas ao elogiar ou criticar um trabalho ou atitude.

Crianças dependentes de elogios em casa logo transferem esse vício para o ambiente escolar: sao aqueles alunos que, com freqüência, se aproximam da mesa do professor, com o trabalho nas maos, buscando aprovaçao (eles aliviam a ansiedade procurando sempre um adulto para elogiar o que estao fazendo), e quando nao sao correspondidas tal como esperam, ficam frustradas e inseguras, podendo até mesmo se tornarem agressivas (física e verbalmente) na escola.

O problema dessas crianças é que os falsos elogios geram insegurança, nao auto-estima.
Eis algumas sugestoes para ajudar a criança a desenvolver uma noçao de seu valor:

* Preste atençao ao que seu filho faz ou diz (você nao precisa concordar, mas tem de ouvir).

* Encontre tempo suficiente para desenvolverem projetos juntos, sem perder de vista as habilidades da criança.

* Lembre-se de que nao sao os falsos elogios que constroem a identidade, mas sim a atividade e o sucesso.
É preciso tempo e esforço para se criar autoconfiança e consciência do próprio valor, e a recompensa se vê quando conseguimos avaliar, com honestidade, nosso trabalho e nao nos deixamos abater por uma ou duas críticas.

Se sua auto-estima depende do que os outros pensam, você acaba por preocupar-se apenas em obter aprovaçao de tudo que faz, em vez de aprender com os erros e decepçoes a aprimorar seu caráter.

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